Planejamento Patrimonial: o ingrediente secreto para a longevidade das vinícolas
- Maria Amaral

- 14 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de jan.
A vitivinicultura brasileira vive um momento especial, um momento de força e reconhecimento. Mas, por trás das garrafas premiadas e dos vinhedos que encantam, existe um elemento silencioso e decisivo, para que esse sucesso atravesse gerações: o planejamento patrimonial e sucessório.
A produção de vinho não é apenas uma atividade econômica. É perpetuar uma herança cultural, familiar e territorial. E garantir esse futuro exige uma estratégia que vá muito além do operacional.

Vinícolas são, majoritariamente, empresas familiares. Isso traz força e identidade, mas também desafios. Quando não há clareza, acordos ou organização, conflitos internos podem surgir - e eles têm potencial para comprometer seriamente a continuidade da empresa.
Governança bem estruturada evita litígios, protege relações familiares e dá estabilidade ao negócio.
Ferramentas como holdings, doações planejadas e testamentos reduzem a carga tributária, preservando mais patrimônio para os sucessores.
Avaliações regulares de ativos - terras, marcas, estoques, equipamentos - permitem decisões mais precisas e estratégicas.
E há ainda um ponto crucial: credibilidade perante investidores e instituições financeiras.
A elaboração de um plano sucessório bem elaborado, transmite profissionalismo e amadurecimento organizacional, facilitando o acesso a investimento para expansão e modernização.
A continuidade de uma vinícola depende da capacidade de atravessar gerações sem perder sua essência. E isso só acontece quando a sucessão é pensada com antecedência.
Transição tranquila de liderança: evitando rupturas na produção, na gestão e no posicionamento da marca.
Preservação do legado e da qualidade: tradição, terroir e reputação são construídos lentamente - e podem ser perdidos rapidamente sem cuidado.
Formação da próxima geração: liderança é preparada, não improvisada.
Resiliência diante de crises: eventos inesperados, como a ausência repentina do fundador, não paralisando um negócio que se antecipou aos riscos.
Um dado que não pode ser ignorado!
Apesar de 90% das empresas brasileiras serem familiares, apenas 36% chegam à segunda geração e só 15% ultrapassam a terceira. (SEBRAE, 2024)
Planejar não é burocracia - é sobrevivência.
A longevidade é a exceção - e não a regra. E a diferença entre continuar e desaparecer está, quase sempre, no planejamento.
"Ao visitar vinícolas brasileiras, percebi algo que vai muito além da técnica ou do terroir: uvas, vinhos e azeites contam histórias. São o resultado de décadas de trabalho, sonho e identidade familiar.
Mas também vi o quanto esse sonho pode se fragilizar quando falta organização. Conversas difíceis são necessárias. Envolver a próxima geração é indispensável. Alinhar expectativas, definir papéis e apoiar quem assumirá a liderança é o que diferencia um legado preservado de um patrimônio ameaçado. E existe um momento ideal para isso: quando a empresa está saudável, a família unida e o fundador presente."
O planejamento patrimonial e sucessório não é um luxo. É uma estratégia de sobrevivência - e de perpetuação. Para que uma vinícola prospere não apenas hoje, mas por décadas, ela precisa tratar esse planejamento como um investimento tão importante quanto o cuidado com o solo, a colheita ou a produção - protegendo a história, o trabalho e o legado de uma família inteira.
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